Talvez a gente nem ao menos se conheça, nem ao menos tenha se cruzado pelas ruas desse grande mundo, então acho melhor começar do básico: eu sou meio retardada.
Talvez até um pouco infantil, mas com certeza indecisa.
E com grandes problemas de transmitir aquilo que realmente quero falar, é mais fácil chorar e chorar, as pessoas te abraçam e depois não perguntam mais como você está. Não que eu esteja reclamando, é bom ganhar tempo.
Mas o que eu realmente quero dizer... É que isso é difícil pra mim. Essas coisas de colocar tudo em primeira pessoas sem ser pelos olhos de um personagem muito mais completo e simpático que eu.
Na primeira saída eu arrumo minhas malas e preparo minha fuga. Deito a noite na cama e fico pensando e pensando e apesar de não bater com nenhum dos relatos que eu já ouvi, começo a acreditar que isso é o chamam de insônia.
Mas voltando ao ponto em que me auto-denomino de retardada, é simples, eu acabo complicando é verdade. Mas me sinto uma criança, sem ter capacidade de controlar meus sentimentos, sem saber ser triste na hora de estar triste ou feliz na hora de estar feliz. Os impulsos que sinto é tão forte, os pulos de sentimentos tão absurdos que acabo com aquela cara de taxo fazendo manhã em troco de nada. Eu sei que devia estar cansada, mas meu corpo grita "Pule, corra, viage através do mundo!" e quando deveria estar animada apenas penso "hora de abrir mais um livro e ir deitar no meu canto".
As coisas não estão certas, e quanto mais escrevo e releio por cima o que já despejei, começo a acreditar que as coisas realmente não estão certas. Mas sou uma pessoa otimista que tende a aceitar as coisas com muita calma e paciência. Eu não brigo por pouco, sou orgulhosa até contra minha vontade, mas acho que vale a pena.
Essa vazão de sentimentos sem fim que acabo depositando nos outros em forma de fé, ou que acabo engolindo como se fosse o mais amargo peixe do oceano.
Eu sou uma boa mentirosa, mas sei porque me apego tatno a figuras humanas que no final respeitam sua natureza. É de minha natureza ser carinhosa e me afastar pra ganhar tempo pra fugir.
É estranho pensar que vou reler isso tudo e concluir "como não consigo ser honesta nem comigo mesma?".
Mas parece que as coisas se encaixam cada vez mais e as decepções em relação a mim se tornam cada vez mais claras.
Faz tempo que repito: eu não nasci pra ser o orgulho de alguém.
Nem ao menos me esforçar pelos outros.
Mas tem essa coisa, essa coisinha na minha vida que significa muito e que eu luto contra o que for preciso, porque essa coisinha me ouve, noite e dia, não, ele não é a coisa mais paciênte do universo, mas por incrível que pareça a minha explicação acaba por "tem que ser com ele", é ele que eu quero que ouça sobre as façanhas do meu dia. Que me dê um pé na bunda, um balde de água gelada na cara e diga: "Vamos, chegou sua vez de cair no mundão."
Mas tem aquelas outras coisas das quais eu nunca pareço criar coragem pra falar.
E ai sussurro minhas palavras de desespero à Clarie, que são respondidas com imagens borradas de cenas tristes sobre como o mundo não mudou. O desespero que transcede esse corpo é assustador, mas continuo a ser a otimista.
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