"Eu disse que estava tudo bem. Eu costumo dizer muito isso quando estou sob pressão, mas não sei até onde minhas mentiras conseguirão me levar... Aquela sensação... De tardes passando como segundos, sem nada a fazer, sobre reflexões sem mais nem menos, tudo aquilo, me leva a ações das quais não sou capaz de me previnir. Das quais não sou capaz de aceitar muito bem."
"Isso soa como se você estivesse indo pra tão longe."
"Talvez eu esteja, eu já não sei mais o que fazer."
"..."
"..."
(...)
"Me disseram que você tava tendo aulas de direção. Achei que era por isso que andava sumida."
"Ah, não se preocupe, eu estou sempre por perto, ainda acho que estou presa naquela sala vazia, dentro de uma casa vazia, sem valor algum."
"Hah, eu sempre olho pra você e vejo um enigma muito além da minha capacidade. Mas sempre acabo ridicularizando essa sua incapacidade de dizer o que pensa.
Eu sei o que te incomoda, sei mesmo. Sei das coisas que ecoam entre as quatro paredes vazias de sua cabeça, de como grita, chora e espernei para si mesma e quando o tempo passa em como você pensa: 'ah, faz tempo que eu não chorava por um motivo tão pessoal assim', e ai quando sentamos frente a frente, você deixa o silêncio vingar, seca suas lágrimas com muito esforço para que ninguém as ridicularize, olha para um canto, retira seu óculos e respira fundo, diz 'tá tudo bem' e é assim, está tudo bem, porque você sabe que é capaz de aguentar o tranco."
"No final do dia, e eu já lhe disse isso, é tudo muito simples: esse sofrimento sem fim vale a pena? Vale a pena me segurar e não revelar essas coisas? (...) Acho que você consegue ver a profundidade de minhas respostas."
"Achei que você gostava de ser uma pessoa simples."
"Eu gosto de dizer isso. Mas cada vez mais me sinto incapaz de concretizar tal afirmação. Nada parece tão simples quanto as pegadas naquelas noites no deserto sob o céu estrelado. Se lembra de por que elas cantam?"
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