- Tem alguma coisa errada.
A resposta explodiu em forma de gargalhada no escuro.
- É claro que tem algo errado! Já viu alguma coisa certa?
E mais gargalhadas.
Mas logo cessaram. Ela sabia que ele estava certo. Ele temia que talvez ela tivesse razão.
- Foda-se. - Respirou fundo. - Vamos terminar essa merda antes que tudo exploda.
- Você só fala.
Mais gargalhadas.
- Psiu.
E então ele sumiu. Tinha algum motivo praquilo tudo? Era realmente necessário.
- Quem pensa demais acaba morto.
As aparições repentinas, a essa altura da estrada, não lhe assustavam mais. Então apenas a ignorou e fez o que devia fazer.
Aquele cheiro de tripas e barro não a enojava mais, não a tirava o sono durante a noite. Não mias.
- Viu só, como as coisas são mais práticas quando você cala boca?
- Psiu.
Ela temeu de novo a certeza naquelas palavras e o silêncio retornou.
- Está feito novamente. - Observou sua obra, como sempre fazia após todo trabalho. - Quem dera fosse tudo tão simples.
- Se você calasse a boca, as coisas poderiam dar certo.
- Psiu.
Não era ela quem deveria calar a boca?
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