sexta-feira, outubro 29

- Tem alguma coisa errada.

A resposta explodiu em forma de gargalhada no escuro.

- É claro que tem algo errado! Já viu alguma coisa certa?

E mais gargalhadas.

Mas logo cessaram. Ela sabia que ele estava certo. Ele temia que talvez ela tivesse razão.

- Foda-se. - Respirou fundo. - Vamos terminar essa merda antes que tudo exploda.

- Você só fala.

Mais gargalhadas.

- Psiu.

E então ele sumiu. Tinha algum motivo praquilo tudo? Era realmente necessário.

- Quem pensa demais acaba morto.

As aparições repentinas, a essa altura da estrada, não lhe assustavam mais. Então apenas a ignorou e fez o que devia fazer.

Aquele cheiro de tripas e barro não a enojava mais, não a tirava o sono durante a noite. Não mias.

- Viu só, como as coisas são mais práticas quando você cala boca?

- Psiu.

Ela temeu de novo a certeza naquelas palavras e o silêncio retornou.

- Está feito novamente. - Observou sua obra, como sempre fazia após todo trabalho. - Quem dera fosse tudo tão simples.

- Se você calasse a boca, as coisas poderiam dar certo.

- Psiu.

Não era ela quem deveria calar a boca?

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