Mãe, eles dizem que ainda levará um tempo para que consigamos chegar ao outro lado e começarmos a ter um novo motivo para sorrir.
Já faz algum tempo, mãe, desde que começamos a juntar nossos esforços para construir nosso barco, às vezes parece que seremos capazes de chegar ao outro lado sem esforço algum, às vezes temos certeza que ficaremos perdidos sendo arrastados pela maré.
Mas não temos medo. Além do óbvio que deveríamos ter.
Consigo olhar nos olhos dos meus companheiros, mãe, consigo saber que estamos juntos para realizar um mesmo objetivo incrível. Mesmo sabendo que nossas individualidades acabam por nos excluir de uma forma muito cruel. Talvez eu seja o que nos una, talvez eu seja a única de fora, mas continuamos com nossos passos incertos apoiando incluse outros viajantes que passam por nós.
Não pretendo voltar quando chegarmos ao outro lado, apesar de já sentir a saudades subindo pela garganta e confundindo os mecanismos do meu cérebro.
O que seria melhor pra gente, o que poderia ser, se torna um estímulo, um impulso do qual ficamos orgulhosos com muita facilidade, aquilo que escolhemos ser e o que rejeitamos nos fazem sorrir, mesmo que ainda não seja o sorriso que procuramos sabemos que o caminho também é valioso.
Conseguimos ouvir pessoas chorando durante a noite. Choramos também, nos arrependemos de gestos que nunca nem foram nossos, mas adimiramos sua importância.
Aaah mãe... A viagem ainda será longa e já sinto saudades daqueles poucos minutos que dividíamos durante o dia, mas sinto que sentirei ainda mais saudades da nossa distância se um dia eu não for capaz de atravessar o que pretendo e ser forçada a voltar para casa.
Dê um beijo no pai, sua lembrança ainda me é dolorosa, sei que deixei muito por dizer. Sei que deixei muito a desejar. Mas o que eu deveria fazer quando a brisa do mar clama por minha presença e isso me faz bem? Somos todos viciados. Todos esperando por algum prazer, e eu fui atrás do meu.
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