- Quando disseram que iria ser diferente, por uma fração de segundos, eu acreditei. Eu fechei os olhos e pulei com tudo que eu tinha, mas sabia que devia ter permanecido em cima daquele muro. - Subia degrau por degrau como fazia em todos os dias, sentindo-se cansado por não poder parar e temendo em escorregar e cair para sempre, mas subia, porque diziam que era assim que havia de ser. - Que desperdício de vias aéreas. - Ele ofegava e as aquela subida parecia cada vez mais infinita, ainda assim, quando chegou ao topo, enquadrou o sol com seus polegares e indicadores e ficou a observar por algum tempo. E então suspirou de alívio, enfim estava lá em cima de novo, em cima de um grande mundo sem fim. Mas se sentia cansado, nem conseguira se despedir direito de sua cama hoje e já era forçado a subir quilômetros e quilômetros. - Disseram que... - E se interrompeu percebendo que tinha chegado ao início. - É... Eles dizem muitas coisas.
Às vezes a melhor solução era ficar em cima daquele muro por uma eternidade inteira. Tentando entender que ele não precisa pertencer a algum lugar, mas que ele já é alguma coisa e só isso é o suficiente pra comprometê-lo no contexto, sendo forçado a ficar dia após dia em cima daquele muro, olhando para os dois lados, com muito cuidado, pra não cair e se tornar mais na multidão.
- Que desperdício de vias aéreas.
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