- Mas não tem mais o que dizer.
- Vai ficar quieta agora? Anda difícil pra você me olhar nos olhos. Ou até mesmo pra se levantar. Achei que você queria que as coisas mudassem que o mundo girasse. - E a determinação brilhava nos olhos da mulher, os seus passos pareciam cada vez mais seus, e eles ficariam marcados para sempre no deserto do coração daquela menina.
- Eu disse que esse lugar era sufocante.
- Quando você vai parar de me dar essas desculpas? Vai ficar assim até o mundo inteiro se cansar dessas falsas revoluções? - Os olhos verdes musgo e vazios da menina loira encaravam com medo e histação tudo que estava a sua frente. Não bastava o mundo, suas famílias, suas histórias e culturas, tudo ia engolindo ela aos poucos, até que não sobrasse nada, até que voltasse ao dia de sua morte. E ainda assim ficava comovida com a determinação da mulher que nunca se cansava de levá-la para cada canto do mundo. - Eu não vou desistir de você, agora levanta que a gente vai sair pra procurar.
Tudo continuava sem sentido, era como se as palavras ditas não combinasse com a cena e a realidade de cada organismo daquele contexto. Mas Clarie se levantou do chão e ficou na mesma altura de Sophie, ainda há pouco elas se encaravam com olhares tão distorcidos e distantes.
- Você continua olhando de cima para mim.
- É que você continua com as intenções erradas. - E pegou a garota pelos pulsos e começou a andar atravessando a ampulheta congelada (fato que a descongelou e os grãos de areia voltaram a cair) e iniciando a viagem pelo chão cheios de grama e fuligem sem fim.
"No cômodo abafado, de branquidão hospitalar
via-se um mar de rostos borrados tentando te acordar
Você zombava desse empenho, da proteção que eu ofereci
um demônio enfermo de quem eu não consigo me despedir" - Jair Naves
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