quarta-feira, setembro 22

on the fence

É difícil estar em cima do muro, observar tudo e tods, descobrir enormes detalhes mínimos e ainda ser chamada de indecisa. Quanto mais eu vejo, mais nojo eu tenho. Não quero ter que tomar uma decisão, não quero conviver com ela. As horas passam diferentes aqui em cima e, apesar da altura, as figuras são mais claras, o oculto não está mais por de trás de faces escondidas, ouço até as mentiras não ditas, a enganação, a tristeza, a pobreza, a alegria, o materialismo, a desgraça, a compaixão, o amor, o ódio! e eu aqui em cima, invisível. Disposta a mostrar o que eu vejo, mas quieta. Vão me chamar de louca.

O ar é rarefeito, mas ao menos respiro tranquila sabendo que ninguém vai me empurrar daqui. Mãos desesperadas pedem para subir, eu as ignoro. Há pouco tempo sorriam ao meu lado. Mas a curiosidade falou mais alta, tomou a vontade de muitos e os fez pular.

Não há quem julgue alguém que está parado em cima do muro. Até há, mas nada chega até aqui, o muro cresceu nos últimos anos, somos poucos, vemos mais, mas sofremos mais.

Será que alguém sabe como desejo ser empurrada e como morro de medo de cair?

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