segunda-feira, abril 5

Contrário.

Já era fim de tarde outra vez, e, como quem se aliena, eu tornava a sentar no mesmo banco vazio.

- Ora, mas o que houve com você?!

- Nossa! Muito original, como se Você já não soubesse.

- Eu sou Deus, Criança. Tenho mais a fazer do que ficar espiando a vida alheia.

- Ah Deus, tenho precisado de sua ajuda.

Como uma vez foi dito, Ele acendeu um cigarro, naquele banco em lugar nenhum. As estrelas iluminavam o sugiciente para entender o que não tem razão.

- Você o enviou a mim e mesmo que seja o contrário, eu receio que falhei.

- Vocês humanos têm uma imaginação muito fértil.

- Eu não mantive o sorriso que nos fazia querer continuar! Eu matei os sonhos, um a um, como alguém sem fé. E como consequência as coisas começaram a mudar.

- Logo você, convicta e confiante de tudo?

- Eu fracassei Deus, até elas - e com o dedo indicador apontado para o céu senti-me mais traidora que nunca. - eu abandonei. Sei que não mereço, mas ainda quero estar ao lado dele!

- Ora, olhe ao seu redor. Não há ninguém por aqui. - Ele sorriu como se o mundo fosse óbvio. - Ainda que elas te consolem, criança, não foi por isso que eu te deixei nascer. Ele precisa de você? Tenho muito a fazer, não perca o ânimo.

- Mesmo que ele não me queire?

- Ai vai de você filha. A minha parte está feita, lute pelo que é seu.

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