
segunda-feira, novembro 30
A boa esposa
não ousa chorar pelos cantos a infidelidade do marido, mau sabe ele que, no fundo de sua consciência, o perdoa. Sua mente vaga, límpida, o que a aborrece logo se esvai, o perdão é algo certo, talvez único, só cabe a ela essa dádiva. Suspira por mais um dia na penumbra, é perfeita em todos os aspectos, não espera a gratidão das pessoas por seus atos, não espera ser compreendida, ser recompensada por suas vastas horas de esforço, suspira, acorda cedo, prepara o café e cuida da família. Os padrões da vida acabam por arrastá-la, é tudo tão simples que já não importa. Ela não se arrepende de seus atos, sabe que nem Deus é um ser como ela.

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